Adicional no ICMS sobre energia e telecomunicações é inconstitucional, decide STF

 É inconstitucional a incidência do adicional de 2% na alíquota do ICMS sobre serviços de comunicação e energia para a criação de fundos de combate à pobreza. Essa cobrança viola o artigo 82 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que autorizou o adicional apenas na alíquota de produtos e serviços considerados supérfluos.

Com esse entendimento, o Plenário do Supremo Tribunal Federal invalidou nesta quarta-feira (4/3), por unanimidade, leis do Rio de Janeiro e da Paraíba que elevaram a alíquota do ICMS incidente sobre energia elétrica e serviços de comunicação para financiar fundos estaduais de combate à pobreza.

Na mesma sessão, os ministros concordaram, também por unanimidade, em modular os efeitos da decisão para que ela produza impacto apenas a partir de 1º de janeiro de 2027, preservando temporariamente a arrecadação dos estados.


Mudança no regime jurídico

A discussão ocorreu no âmbito de três ações diretas de inconstitucionalidade, relatadas pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux e Dias Toffoli.

Relator da ADI 7.634, Fux votou pela procedência parcial das ações para afastar a incidência do adicional sobre energia elétrica e telecomunicações. Ele destacou que a Lei Complementar 194/2022 alterou a legislação do ICMS para reconhecer a essencialidade da energia e dos serviços de comunicação. Com isso, esses setores deixaram de ser enquadrados como supérfluos, o que impede a incidência do adicional previsto no artigo 82 do ADCT.

O magistrado observou ainda que normas estaduais editadas antes da nova lei complementar eram constitucionais à época, mas tiveram sua eficácia cessada com a mudança do regime jurídico nacional. No caso do Rio, a Lei Complementar 210/2023 foi editada após a LC 194/22, o que reforça a inconstitucionalidade.

Dino, relator da ADI 7.077, acompanhou o entendimento de Fux. Na leitura de seu voto, ele afirmou que a corte deveria preservar a segurança jurídica e a estabilidade da jurisprudência já consolidada no Tema 745 da repercussão geral, que vedou a fixação de alíquotas superiores às aplicadas nas operações em geral quando adotada a técnica da seletividade.

Toffoli, relator da ADI 7.716, votou pela improcedência formal da ação, lembrando que o STF reconhece a validade dos adicionais criados após a Emenda Constitucional 42/2003, posteriormente prorrogados pela EC 67/2010, e que a norma paraibana (editada em 2004) era compatível com a Constituição quando entrou em vigor.

Contudo, com a superveniência da LC 194/22 — que classificou energia elétrica e telecomunicações como essenciais —, tornou-se inviável mantê-los no campo de incidência do adicional destinado a produtos supérfluos.

Quanto à modulação, os ministros consideraram que, embora os argumentos fiscais não sejam suficientes, por si sós, para afastar a inconstitucionalidade, a preservação temporária da arrecadação é necessária para evitar desequilíbrios financeiros abruptos nos estados. Por isso, os adicionais continuarão sendo cobrados, mas já com prazo certo para deixarem de vigorar.

ADI 7.716

ADI 7.077

ADI 7.634

Por Karla Gamba

Fonte: CONJUR

Galeria de Imagens
Outras Notícias
Split payment e o esvaziamento da autonomia do contribuinte na reforma
Simples pode virar um problema? O impacto oculto da reforma tributária
Doação feita a filhos antes do nascimento de outros herdeiros é legítima
STJ debate se SPE com patrimônio de afetação pode pedir RJ para dívidas gerais
A compensação tributária e a (des)necessidade de retificação da GFIP
Entregou o IRPF 2026? Veja como consultar se caiu na malha e status da declaração
Receita define regras para imposto mínimo global de 15% sobre multinacionais
Receita amplia cruzamento de dados e aumenta risco de cair na malha fina do IR 2026
Royalties pagos a empresa não sócia do mesmo grupo são dedutíveis, decide Carf
DESPESAS COM SEGURO DE VIDA OFERECIDOS E DESTINADOS INDISTINTAMENTE A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. NATUREZA DE DESPESA OPERACIONAL.
Receita reforça possibilidade de base presumida reduzida para receitas de cirurgias odontológicas
Portaria mantém discussão administrativa no cálculo para definição de contumaz
Depósito anterior à transação tributária vira pagamento definitivo, decide Ministro
IRPJ incide sobre compensação por stock option paga na rescisão, diz STJ
CPC 51: demonstrações contábeis de cara nova. Há efeitos fiscais?
Justiça Federal autoriza incorporadora a tributar pelo RET as receitas financeiras advindas de rendimentos em aplicações
Compensação de créditos judiciais: IN 2.314 trouxe segurança ou só reorganizou debate?
Impacto do critério de desempate em decisões do Carf sobre planejamento tributário
Carf mantém IRRF sobre aquisição de software de empresa irlandesa para revenda
A corrida final pelos créditos de PIS e Cofins
É devido IRPF em ganho de capital com incentivos fiscais na alienação de ações, diz Carf